quinta-feira, 31 de março de 2016

É agora ou nunca, por Francisco Costa


Logo mais a Mídia estará atenta ao que vai acontecer nas ruas, os golpistas estarão avaliando as suas possibilidades de governar ou não, se derrubarem Dilma, os holofotes do mundo estarão voltados para cá, os coxinhas estarão tentando entender porque cada vez mais seus iguais estão trocando de lado.
Logo mais não teremos passeatas do PT ou do PC do B, da esquerda, de socialistas, sociais democratas ou comunistas, menos ainda de neoliberais contraditoriamente nacionalistas.

Logo mais, embora vá sobressair o vermelho, sanguínea cor da emoção, todas as cores estarão nas ruas, clareando o futuro, afinal o branco é a soma de todas as cores, as que vemos e as que não vemos, mas que nos revelam a realidade.
Logo mais o Brasil se porá em movimento, mostrando-se ativo, altivo, senhor de si, determinando o próprio futuro.

Logo mais haverá uma festa onde seremos todos anfitriões e convidados, iguais, afastando as pedras que nos empatam o caminho, semeando sonhos, exigindo que nossas vozes sejam ouvidas.

Logo mais diremos não a juízes maquiados em passeatas, exigindo decoro de quem deveria aliar autoridade moral à autoridade constitucional, exigindo punição a todos os ladrões nacionais sem apartá-los em lotes de adversários e cúmplices, criando a surreal doutrina de crimes lícitos e crimes ilícitos, documentalmente pautando a operação Lava Jato, instrumento de um golpe organizado e dirigido no exterior.

Logo mais diremos não às evasões de divisas não apuradas, às milhares de contas secretas no exterior, já identificados os seus titulares, sem que nada faça o mesmo Judiciário que investiga canoas e pedalinhos.

Logo mais exigiremos a apuração e a cobrança da sonegação fiscal que, segundo os órgãos do governo, já chega a um quinto do nosso PIB, mais de um trilhão de dólares, o bastante não só para apagar a crise como para asfaltar o caminho que nos levará ao futuro.

Logo mais diremos não às privatizações, não compramos empresas, apenas as recebemos dos nossos antepassados, para que as administrássemos, até que os nossos filhos chegassem, para assumi-las.

Logo mais estaremos todos irmanados, os intelectuais, construtores de livros e teorias, e os pedreiros, construtores de muros e calçadas, os estudantes e os professores, os civis e os militares, as donas de casa, administradoras das famílias, e os políticos bem intencionados, administradores da sociedade, os patrões conscientes e os empregados politizados... Todos juntos, indistintos, iguais no mesmo grito.

Logo mais um país mostrará que tem personalidade e que não mudará, que tem uma cara e não se deixará mascarar.

Logo mais cada um de nós abrirá mão de si para ser o outro, mais uma gota de um imenso oceano que escorrerá pelas ruas, inundando tudo de civismo e liberdade, afogando um golpe que não passará.
É agora ou nunca, por Francisco Costa
4 / 5
Oleh