terça-feira, 29 de março de 2016

Eu só não digo fora Lula e fora Dilma, porque até 2002 lá em casa nunca tinha presunto e queijo


Por Andressa Barbosa no Facebook.

Eu sonhava com aquelas fatias quadradinhas, uma amarela e outra rosadinha num pão de forma; tipo o misto quente que vendia na lanchonete, só que feito em casa. Mas a minha mãe nunca nunca comprava porque dizia que não dava.
Desculpa, gente, mas eu sou egoísta mesmo. Depois da posse do Lula, não sei como isso, e não sei se foi culpa do cartão amarelinho dela do bolsa família. (Deixo bem claro que a minha mãe já tinha parido os quatro filhos, não pariu essa ruma de menino só pra aumentar o orçamento não). Bom, meados de 2003, minha mãe passou a comprar queijo, presunto e até leite apareceu.
Não era eleitora do Lula, era do Garotinho, porque a gente era crente e queria era um "servo de Deus" no poder. Mas, Garotinho, graças à Deus (?) perdeu.
E o queijo foi virando rotina.

Na época de escolher o meu curso superior, quando terminei o médio, eu tinha escolher não o que queria, mas o que "dava" pra entrar, porque pelo menos na minha escola pública, não tinha esse negócio de pobre tá estudando não. Crescida no Maracanaú, era todo mundo de lá "terminando" e sabendo que ia acabar indo pra alguma fábrica do Distrito Industrial, "costurar em pé". Superior era quase assim uma coisa de loteria. E lá em casa foi sempre bem claro, minha mãe queria todo mundo estudando, mas se não rolasse, tinha que ir logo trabalhar. 

Sempre tive dificuldades pra acordar cedo e ficava em pânico pensando no ônibus da fábrica me pegando as 05:00 da manhã.
Então me esforcei no que deu (eu era boa de redação e nas humanas, mas não sabia (não sei até hoje) nem as quatro operações básicas de matemática). E quando alguém perguntava o que eu queria no vestibular (UFC) eu dizia: se eu pudesse, era pra Direito; mas vou fazer Letras, que eu consigo passar. (O curso de Letras é maravilhoso, mas, não era o que exatamente queria; e a universidade era polarizada: "os cursos elites" e "os cursos que se conseguia entrar").

Olha, a história é bem comprida, mas pra encurtar, o tempo passou e anos depois eu fiz ENEM e fui contemplada com uma das duas bolsas integrais super concorridas do Prouni, numa faculdade particular maravilhosa que eu nunca conseguiria pagar no momento, e, mesmo depois de a gente não ter mais direito ao bolsa família, por não mais estar no perfil dos critérios pro programa (é, a gente não ficou "dependente" não), continuou rolando queijo e presunto lá em casa.

Bom, eu só queria dizer aos meus amigos que não fiquem sentidos comigo porque eu não tou me posicionando ou tou meio distante desses assuntos no momento. Quero que Lula seja investigado, assim como os outros, mas, cara, querer que eu diga Fora Lula, assim previamente, sem nem ter a condenação do cara é demais, não faz isso que machuca meu coração... A parada é pessoal. Tenho mágoa dos governos anteriores e tudo aí que se diz "a oposição" parece muito com o que veio antes.

Gente, eu posso tá assim falando meio atropelada, sem pé nem cabeça... Mas fico nervosa de pensar num retrocesso, desculpa, gente... é que... Não é pelo Lula em si... É que eu amei poder fazer Direito e ver aquele povo que era destinado à fábrica poder ser universitário...e também monte de gente que não tinha oportunidade poder ir pro exterior com esse Ciências sem front... Tá!!! - Mentira!!! É porque eu me viciei em presunto. Maldito Lula, com esse negócio de Direito e presunto, pegou no meu ponto fraco.

Pronto, falei.
Eu só não digo fora Lula e fora Dilma, porque até 2002 lá em casa nunca tinha presunto e queijo
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Oleh