terça-feira, 5 de abril de 2016

A economia inicia recuperação e isso não exige cortes em direitos, por Gleisi Hoffmann


Vivemos uma crise econômico-financeira grave. Diria que maior que as vividas nas décadas de 80 e 90. Uma crise que não é só brasileira, afeta o sistema capitalista mundial. No Brasil, esse ciclo da crise não é sistêmico, como aconteceu em outras ocasiões. Não atinge todas as regiões, todos os estados brasileiros e todas as pessoas de maneira igual e tampouco está deixando o país fragilizado no plano externo. Conseguimos, ao longo dos últimos anos, construir um conjunto de políticas estruturais que amortecem, para uma parcela considerável da população, os efeitos nefastos dessas crises cíclicas e nos protegem das especulações do capital externo.

As reservas internacionais na casa dos U$ 370 bilhões, que dão credibilidade aos investimentos externos, e a rede de proteção social, através do Bolsa Família, maior inclusão previdenciária, valorização do salário mínimo, que protege os mais pobres, e a diversificação da economia, são pilares fortes que nos permitem enfrentar a crise em curso.

Não fecho os olhos às nossas dificuldades. Sei que o desemprego aumentou em algumas regiões, que a indústria brasileira está indo de mal a pior, embora não seja em todos os setores, que temos inflação alta. Mas começa a se tornar evidente que o Brasil tem respondido melhor a crise do que em anos anteriores. Em razão disso, sou tão crítica às posições dos que querem cortar direitos adquiridos pelos trabalhadores e pelo povo mais pobre, com o intuito de reduzir déficits orçamentários ou, neste momento, usar as reservas internacionais para expansionismo fiscal.

Nas duas últimas semanas recebemos na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. Ambos falaram do início da retomada da economia, com indicadores claros de que isso está acontecendo. O problema é que a retórica pessimista e agourenta não alivia. Assim, as boas notícias na área da economia ficam embaçadas, escondidas. Mas vamos a elas.

A área externa é a que mostra recuperação mais acentuada. Além de continuarmos com altas reservas em dólares, temos superávit na balança comercial, recuperação significativa no balanço de pagamentos, Investimentos Estrangeiros Direto (IED) na casa dos U$ 75 bilhões e fizemos uma oferta de títulos do Tesouro que teve demanda quatro vezes maior do que a oferta. Isso tudo comprova o interesse do investidor externo no Brasil.

No plano interno, a inflação começa a cair, abrindo importante caminho para a redução dos juros. Além disso, teremos redução no preço da energia, aumento de crédito para diversos setores e o governo continua com suas políticas sociais: bolsa família, inclusão previdenciária, valorização do salário mínimo, Minha Casa Minha Vida, entre outros. Isso vai manter uma proteção social mínima às pessoas mais vulneráveis neste momento de crise.

Por isso está certo o governo ao mandar para o Congresso Nacional proposta para não cumprir o superávit este ano. A prioridade deve ser proteger o emprego e a renda.

Um complicador neste momento é a crise na política. Enquanto em várias ocasiões a política soube trabalhar para vencer crises, desta vez a política está atrapalhando a solução para a economia. O inconformismo dos derrotados na eleição de 2014 e erros políticos do governo nos levaram a um impasse que atrasa o país. Precisamos derrotar essa pauta do impeachment e abrir caminho para a retomada do diálogo e do esforço político para melhorar a economia e a vida do povo brasileiro.

Gleisi Hoffmann é Senadora pelo PT do Paraná
A economia inicia recuperação e isso não exige cortes em direitos, por Gleisi Hoffmann
4 / 5
Oleh