sexta-feira, 15 de abril de 2016

Tribunal de Exceção presidido por um gângster ignora reação do povo contra quartelada civil


Iremar Marinho - Barrado o "impixo" contra a presidente Dilma Rousseff, na segunda-feira o Brasil será outro. A burocracia do governo estará livre dos ratos, que pularam do barco, prevendo, mediante o golpe contra a democracia, melhores dias e ares mais livres para assaltarem o Estado e suas riquezas e bombardearem a inclusão social trazida ao povo pelos governos de esquerda desde 2003, em meio a grandes tempestades.

No cenário negativo para o país, aplicado o golpe de mão contra a democracia, a reação do povo contra a monstruosidade legislativa será imediata, ainda na noite de domingo, começando pela ocupação das instalações da Rede Golpe, cozinheira da quartelada civil por sua atuação sem regras (sem regulação), sem ética e sem moral, em favor da destituição do mandato legítimo da presidente.

Confirmado esse cenário, o STF entra para a História pela omissão de não deter a sanha vingativa de um psicopata com poder (lembrem-se da Alemanha), Eduardo Cunha. Denunciado pelo MPF e decorrido tempo suficiente para que fosse adotada a decisão profilática de cortar a cabeça do grande e comprovado criminoso, o STF se omitiu (e deverá ser acusado de conivente) em afastá-lo da presidência da Câmara Federal.

A omissão da Corte Suprema significa submeter a Nação, internacionalmente, à vergonha de ter um parlamentar desonesto presidindo uma sessão para condenar, politicamente, a presidente da República contra a qual não se comprovou a prática de nenhum crime, mesmo porque não respondeu ou responde a nenhum processo judicial.

O afastamento de Dilma Rousseff, se ocorrer, na sessão presidida por um gangster, terá alguma validade? O STF, entretanto, silencia sobre essa vergonha a enlamear não só a República, mas a dignidade de um povo.

RETROSPECTIVA DE UM GOLPE SUJO

Na semana anterior à decisiva para a democracia, quando o rolo compressor golpista botou em marcha o famigerado processo de impixo contra o mandato legítimo da presidente, o procurador-geral da República Rodrigo Janot havia voltado de uma viagem ao exterior totalmente atordoado. Sucessivas manifestações dele, em processos ou não, foram um festival de non-sense digno de quem tivesse acordado grogue de uma sessão de anestesia.

"Vero" é que o mundo jurídico defensor do Estado Democrático de Direito quedou estarrecido com o parecer do procurador-geral favorável ao cerceamento da prerrogativa da presidente da República para escolher, nomear e dar posse, livremente, ao seu ministério.

Por vias transversas (e travessas) o "staff" golpista, instalado em todas as instâncias judiciais, admitiu a decisão de um juiz suspeito, juridicamente, e insuspeito golpista Cata-Preta, proibindo a presidente de dar posse ao ministro Lula, na Casa Civil. O ministro do STF Gilmar Mendes, também insuspeito golpista, sentou no processo (em relação ao qual é suspeito para julgar), e os demais ministros fizeram caras de paisagem para a cena indigna, digna, entretanto, de Gabriel García Márquez, das republiquetas de bananas, nos romances do realismo fantástico.

Então o STF seria ineficiente (incapaz) para julgar Lula, que procuraria, na Corte Suprema, a segurança jurídica, a isenção e a imparcialidade, não demonstradas, à soberba, pelo juiz Sérgio Mouro, da Vara de Exceção de Curitiba?

Abstraída a relevância para o Poder Judiciário, que a presidente Dilma Rousseff escolha o nome A ou B para seu ministério, por quê magistrados “difusos” e mais de um ministro do STF considerou que o fato de Lula ver, nessa corte, maior isenção e segurança jurídica, significaria fugir de ser responsabilizado, ressalve-se, por crime inexistente contra ele, e ainda praticar crime contra a administração da Justiça? Crime contra a administração da Justiça, em que crime?

Afinal, que mal comete o cidadão ao perseguir os meios de alcançar a prerrogativa de sua ampla defesa, mais ainda quando o “processo” a que é submetido reúne todos os requisitos da mais refinada e infame Inquisição da Idade Média?

Denunciado aos quatro cantos do mundo (literalmente) o golpe da extrema direita (no Brasil, a direita é sempre extrema),

mancomunada com a mídia ditatorial e a Justiça de Exceção do juiz Sérgio Mouro, só assistiu razão a Lula (como assistiria a qualquer cidadão que se achasse na mira do rolo compressor do MPF “missionário” e de uma PF justiceira-carniceira), procurar se desvencilhar e se defender, usando os meios jurídicos-constitucionais postos a seu favor.
Tribunal de Exceção presidido por um gângster ignora reação do povo contra quartelada civil
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Oleh