sexta-feira, 13 de maio de 2016

The New York Times: "Não há nenhuma evidência de que Dilma cometeu abuso de poder ou se enriqueceu ilicitamente"


Horas após a maioria esmagadora dos Senadores aprovarem o início do julgamento de Dilma por "manobras" financeiras, a Presidenta denunciou que a tentativa de impeachment é um GOLPE.

"Eu posso ter cometido erros, mas nunca cometi crime", afirmou Dilma.

Isso é discutível, mas a Presidenta está correta ao questionar os motivos e a autoridade moral daqueles que querem derrubá-la. Dilma Rousseff - que foi reeleita para um novo mandato de quatro anos - tem sido ruim politicamente e uma liderança inexpressiva, mas não há nenhuma evidência de que ela cometeu abuso de poder ou se enriqueceu ilicitamente, enquanto muitos dos políticos que orquestraram o seu afastamento estão envolvidos em enormes esquemas de propina entre outros casos.

A Suprema Corte Brasileira decidiu na semana passada que Eduardo Cunha - um Deputado experiente que fez de tudo para afastar a Presidenta - deve deixar o cargo para ser julgado por corrupção. O vice-Presidente, Michel Temer, que assumiu o comando do país na quinta-feita (12), pode ficar inelegível por oito anos por violar os limites de doações em campanhas eleitorais.


Dilma Rousseff é acusada de utilizar dinheiro de bancos nacionais para cobrir déficits orçamentários, uma tática utilizada por Presidentes anteriores e que não sofreram sansões por isso. Muitos suspeitam, entretanto, que o esforço para cassar o mandato da Presidenta tem muito mais a ver com permissão dera aos promotores para que avançassem nas investigações nos casos de corrupção da Petrobras - companhia estatal de petróleo. O escândalo envolve mais de 40 políticos, inclusive líderes do governo Dilma.

Se o Senado condenar Dilma Rousseff por má conduta financeira, o que é provável - pois 55 Senadores votaram pelo início do julgamento -,  ficará mais fácil retomar a política de pagamento de propinas. O que seria indefensável.

O Brasil está se recuperando da sua pior recessão desde 1930, mas a atual crise política está afetando a saúde de sua jovem democracia. Para agravar os problemas, o país está lutando contra um surto de Zika vírus justamente na véspera das Olimpíadas do Rio.

As recentes investigações de corrupção, que expuseram a elite governante do país, causou a indignação dos brasileiros. Se Dilma Rousseff for cassada, os brasileiros devem ter o direito de escolher um novo representante. Uma nova eleição pode acontecer em breve caso o TSE casse a chapa vitoriosa em 2014, se comprovado o uso de dinheiro irregular na campanha. Alternativamente, o Congresso pode aprovar uma proposta de novos pleitos.

Enquanto Dilma não é afastada definitivamente, os Senadores que torcem por sua saída devem se lembrar que Dilma foi eleita por duas vezes. O PT ainda tem um apoio considerável, principalmente dos milhões de brasileiros que saíram da pobreza nas últimas duas décadas.

A confiança da Presidenta e do PT pode ter diminuído nos últimos meses, mas Dilma Rousseff está prestes a pagar um preço altamente desproporcional pelos seus erros enquanto que vários de seus algozes são acusados de crimes mais graves. Eles podem receber de volta a ira que detêm contra a Presidenta muito em breve.

Editorial do The New York Times: "Making Brazil’s Political Crisis Worse", traduzido por Lucas Ponez.
The New York Times: "Não há nenhuma evidência de que Dilma cometeu abuso de poder ou se enriqueceu ilicitamente"
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Oleh