segunda-feira, 16 de maio de 2016

O Brasil é só a ponta do iceberg



Em sua coletiva de imprensa feita após o afastamento pelo Senado, a presidenta Dilma levantou um ponto importantíssimo que merece discussão cuidadosa: a estabilidade do sistema presidencialista. E não apenas no Brasil.  

Temos exemplos de golpes de estado recentes em diversos países latinos: Paraguai, Bolívia, Honduras e, agora, o Brasil. É importante nos debruçarmos sobre os acontecimentos das últimas décadas e refletirmos não apenas num contexto nacional, mas além dele.

O golpe em curso pode não envolver a força militar, como em 1964, mas tem pontos importantíssimos em comum, sendo o principal deles o combate às supostas “forças comunistas”, que não existiam na época e continuam não existindo agora. Jango foi derrubado pois possuía apoio popular, e qualquer presidente que tivesse apoio do povo (pra ser mais exata, 70% segundo pesquisa Ibope feita na época e divulgada em 2014) era considerado “comunista”. O que levou à deposição de Jango foi o descontentamento da elite econômica e política.

Acontece a mesma coisa hoje: há anos a mesma elite, insatisfeita, tenta derrubar um governo popular que se iniciou em 2002. Usa-se a idéia da “corrupção” para derrubar governos eleitos democraticamente e substituí-los por governos de direita.

Temos um paradoxo: o poder emana do povo, que elege seus representantes; a elite, insatisfeita, os derruba e toma o poder à força.

Vivemos em uma falsa democracia em que o voto não é realmente respeitado e é preciso discutir meios de estabilizá-la.

Antes que seja tarde demais.

Patrícia Miguez 
O Brasil é só a ponta do iceberg
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