quinta-feira, 5 de maio de 2016

Os idiotas não aprendem, por Francisco Costa


O capital é impessoal, o deus mercado serve-se dos homens de acordo com as próprias necessidades e depois os descarta.

Todo defensor da política de mercado é personagem ocasional e temporário, servindo ao mercado, mas só enquanto é útil, cuspido depois.

A corrupção não é algo anômalo, extemporâneo, mas inerente ao mercado, que remunera, lícita ou ilicitamente, os que o servem, para que num primeiro momento os atraia, depois use e, finalmente, puna.

Vejamos: o maior nome da economia de mercado, um verdadeiro adido comercial dos Estados Unidos, nas décadas de 40 e 50 chamava-se Carlos Lacerda, o líder civil, junto com Roberto Marinho, do golpe de 64.

Consolidada a ditadura militar, veio a lista de cassações de mandatos, da perda de direitos políticos, do exílio e do ostracismo.

Ao lado de Jango e Brizola, de Prestes e Darcy Ribeiro, quem estava, na mesma lista? Carlos Lacerda, descartado porque agora sem serventia.

Este mesmo deus mercado construiu Collor, a salvação da lavoura, o caçador de marajás (os marajás do mercado rsrsrsrsrs), para, logo depois, ser cuspido, abandonado, transformado em lixo indesejável.

Seguiu-se Joaquim Barbosa, o todo poderoso, manipulando a justiça como se de sua propriedade, investindo sobre o que contrariava o mercado, neutralizando as vozes mais combativas do mercado, até que o seu ciclo se encerrou, e ele saiu pela porta dos fundos, pedindo uma aposentadoria precoce, antes que fosse investigado e denunciado, pelas mesmas forças do mercado a que serviu, aqui e no exterior, denunciado nas cortes internacionais.

Hoje começa o calvário de Eduardo Cunha, um fiel servidor do mercado, cuidando de tirar as pedras do caminho, o menos ético político de todos os tempos, por isso o mais útil, capaz de iludir no púlpito, na tribuna e na tevê, com as vítimas do mercado vendo-o “um mal necessário”, bem de acordo com essa religião cultuada nas casas bancárias e seus acólitos, nas igrejas e redes sociais, cantando loas enquanto cava as próprias sepulturas.

Movimentos feitos no tabuleiro das finanças, mais um descartado, chegou a vez de Temer, uma nulidade alçada a qualquer coisa, no interesse do capital.
Ruim de voto (na última vez em que concorreu, em São Paulo, teve pouco mais de 99 000 votos, menos de 05% do eleitorado, 15 vezes menos votos que Tiririca, no mesmo colégio eleitoral, só se elegendo por conta da coligação do seu partido). 

Esta é a força eleitoral, a expressividade política do próximo presidente.
De oratória asséptica, linear, insossa, típica dos conselheiros conjugais e frades capuchinhos, é absolutamente incapaz de provocar qualquer emoção em quem o ouve.

Por um desses paradoxos só possíveis em cabeças ocas, confusas, Temer chega com o apoio de praticamente todos os evangélicos, sendo graduado mestre na maçonaria (agora, quando um desses tontos do dízimo me afirmar que “Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor” (Sal 33:12), perguntarei qual, se Jesus ou Gadu).
O paradoxo se justifica na doutrina que serve ao mercado, com um Deus provedor de paraíso material, aqui na Terra mesmo, pagando com bençãos e graças os que o servem sem questionar, essência da Teologia da Pro$peridade.

O discurso do mercado e seus coxinhas amestrados foi o de excesso de ministérios. Temer chega sem mexer em nada, mantendo os mesmos ministérios.

O discurso do mercado foi o de acabar com a corrupção. Ontem, no Jornal Nacional, Temer afirmou não ver nada demais no fato dele estar nomeando uma penca de bonecos investigados na Lava Jato.

Aliás, encontrar um ficha limpa em algum ministério Temer é árdua tarefa.
Mas ao mercado nada disso importa, importante é usar mais um para afastar o que o contraria: programas sociais, ganhos salariais reais... E as ameaças aos seus servidores: taxação das grandes fortunas, imposto sobre transmissão de grandes heranças, taxação do lucro sobre o capital... Ameaças que se faziam reais e próximas.

Como o Deus mercado é avassalador, não permite nada que não seu, vem aí as privatizações, a entrega do que resta.

Temer fará o governo digno dos coxinhas que o quiseram no poder, pronto para servir ao mercado, até que esses mesmos coxinhas, negando que um dia foram partidários de Temer, o derrubem, por ordem do todo poderoso deus mercado.

Francisco Costa
Macaé, RJ, 05/05/2016.
Os idiotas não aprendem, por Francisco Costa
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