quinta-feira, 5 de maio de 2016

Tentam transformar uma briga em fato político, afirma vítima de ataque por membros do MBL em Curitiba

Ex-assessor parlamentar da Câmara dos Deputados foi abordado e agredido em posto de gasolina por usar barba.

Pasmem!

Os fatos ocorridos na madrugada do último dia 3 de maio estão sendo distorcidos e narrados de forma tendenciosa com o único intuito de manchar a minha vida pessoal e a minha carreira profissional. Ter um direcionamento ideológico, hoje, é crime neste país. A intolerância com as diferenças de pensamento é tratada como moeda de troca para interesses políticos/partidários e pessoais. Manchar a história de uma pessoa com mentiras e ilações sem nexo é a regra para conquistar mais e mais votos.

Fui abordado na fila de uma loja de conveniência do posto de gasolina TS Shell, localizado na esquina das ruas Tomazina e Anita Garibaldi, no bairro Ahu, em Curitiba. O casal visivelmente embriagado, ele com lata de cerveja e cigarro, o que é proibido por lei dentro do estabelecimento, ela na beirada da fila.

Dirigiu-se a mim sem nunca ter me visto, com ironia e dizendo “Chegou um comunista”. Eu não trajava nada que sequer lembrasse um comunista. Só a barba. Boné azul, blusa azul, calça jeans e tênis. Na fila, esperando a minha vez de ser atendido. Reagi como sempre faço nessas situações. Dei uma risada amarela pra ver se o assunto acabava por ali. Ela riu. Ele se dirigiu para a porta do estabelecimento e de novo soltou um “Comunista”. Eu, em tom de brincadeira, ainda com a risada amarela no rosto, disse “Tá, sou comunista” e ri. Ela, então, se colocando na minha frente na fila soltou um “então vamos socializar a fila, comunista”. Mais uma vez recuei e ela furou a fila.

Os fatos a seguir são de arrepiar qualquer estado democrático. Saí, entrei no carro e me dirigi à saída do posto. Eles estavam ali. Me chamaram de comunista corrupto. Abri a janela do carro e soltei um “Não vai ter golpe”, e fui embora. Levei a minha companheira até a casa dela e voltei pelo mesmo caminho para a minha casa. Como o estabelecimento é o único que permanece aberto por 24 horas, resolvi comprar mais algumas coisas para levar para casa. Parei no posto e, para a minha surpresa, o cidadão veio pra cima de mim assim que eu saí do carro. Sem argumento, sem conversa. Só brutalidade. Recuei e ainda deu tempo de pegar a chave de roda, com intenção única de me defender. Levei um soco na lateral do rosto. Infelizmente fomos para vias de fato durante alguns segundos enquanto começaram a chegar pessoas em volta com chutes. Completamente assustado, desferi um golpe com a chave, que acertou o couro cabeludo do meu agressor. Caímos no chão. Senti duas mãos envolvendo a minha cabeça e dedos entrando nos meus olhos. A pessoa tentava enterrar os dedos em volta dos meus globos oculares, tentando ferir meus olhos, enquanto os outros continuavam a desferir chutes e socos. Rodei o braço direito para trás e desferi um golpe com a chave para tentar me desvencilhar daquela situação. Para a minha surpresa era ela. Me derrubaram no chão, me chutaram, tiraram a chave da minha mão. Os frentistas me tiraram dali, separaram a confusão e me dirigiram ao banheiro, onde fiquei esperando a polícia chegar. Nesse tempo, rasgaram os quatro pneus do meu carro com uma faca ou canivete.

Ou seja. Os fatos não têm nada a ver com política ou partidos. Têm a ver com a intolerância, com o preconceito. Infelizmente aconteceu de uma forma brutal.

Durante a minha vida profissional executei trabalhos para diversas entidades, pessoas físicas e jurídicas e partidos políticos, inclusive, que votaram em favor do impeachment da presidenta Dilma.

Estou sendo perseguido por meu posicionamento ideológico. Estou sendo perseguido por tentar me defender de agressões físicas e verbais durante uma compra em uma loja de conveniência. Estou sendo perseguido por tentar me salvar de um linchamento. Não abordei ninguém. Não ofendi ninguém. Não provoquei discussão. Para eles, meu único mal era parecer um comunista. Meu único mal é ter uma opinião diversa da deles e ter barba.

Me livrei do linchamento físico, mas promoveram esse linchamento imoral nas redes sociais, sites e blogues com incitação ao ódio.

Não me resignarei diante de falácias. Os provocadores, agora, se fazem de vítimas. Estão tentando transformar uma briga em fato político. Defendi a minha integridade física sem qualquer ligação ideológica. Defenderei a minha integridade moral, pessoal e profissional na justiça.

Edson Rimonatto


Boletim de ocorrência:



Tentam transformar uma briga em fato político, afirma vítima de ataque por membros do MBL em Curitiba
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