segunda-feira, 30 de maio de 2016

Um exílio que me faz tão bem: paródia da Canção do Exílio de Gonçalves Dias


Um exílio que me faz tão bem

Minha terra tem coxinha,
Que idolatra gente má;
Reacionários, que aqui bafejam,
São príncipes se comparados com os de lá.

Nosso parlamento tem mais ladrões,
Nosso sistema tem mais golpes,
Nossas vielas têm mais barões,
Nossa classe política dá galopes.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais tristeza encontro eu lá;
Minha terra tem coxinhas,
Que idolatra gente má.

Minha terra tem golpistas,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais tristeza encontro eu lá;Minha terra tem coxinhas,
Que idolatra gente má.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu me esqueça de lá;
Sem que desfrute os desgostos
Que não encontro por cá;
Sem avistar um coxinha,
Que idolatra gente má.
Um exílio que me faz tão bem: paródia da Canção do Exílio de Gonçalves Dias
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Oleh