terça-feira, 14 de junho de 2016

Amar sem Temer. Preconceito mata! Homofobia mata! Por Paulo Pimenta


A chacina homofóbica ocorrida na madrugada do último dia 12 vitimou 50 pessoas, assassinadas simplesmente por amarem fora do padrão heteronormativo que é imposto a elas. O Ministério interino das Relações Exteriores do governo golpista, entretanto, soltou uma nota a respeito do ataque sem usar nenhuma vez expressões como “LGBT”, “gay”, “homossexual” ou “homofobia”. Classificaram o episódio como “terrorismo”, na busca de apagar o caráter homofóbico da tragédia e a identidade das vítimas. Parece que, nesse governo, é proibido falar de homossexualidade e preconceito. É a homofobia institucional retomando seu espaço no governo federal.

Essa postura, vinda de um governo inteiramente masculino, heterossexual, cisgênero e branco não surpreende. É mais um episódio grave de discriminação que se soma ao lamentável quadro de práticas preconceituosas que fazem parte do cotidiano da política brasileira. Não faltou nem sequer parlamentar fundamentalista para fazer a violenta declaração de que “os LGBTTs estavam usando a tragédia para se promover”.

“Nenhuma motivação, nenhum argumento justifica o recurso a semelhante barbárie assassina”, diz o final da nota, que problematiza a desproporcionalidade do crime, mas não sua motivação, como se fosse aceitável odiar LGBTT’s, mas não matá-los.

Um governo que se omite de tratar sobre homofobia – mesmo diante de uma chacina com repercussões internacionais –, e se exime de adotar políticas de combate à discriminação de gênero, tem as mãos sujas do sangue das vítimas desse ataque e dos tantos outros assassinatos motivados pelo ódio homofóbico cotidianamente no Brasil. O retrocesso expresso em cada ato desse governo golpista, fascista, racista, machista e homofóbico é o que move nossa luta para que eles não prosperem. É necessário amar sem Temer!
Amar sem Temer. Preconceito mata! Homofobia mata! Por Paulo Pimenta
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Oleh