segunda-feira, 20 de junho de 2016

GGN: Pronunciamento de Cunha indicará os próximos passos para se salvar


Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) tem em mãos o pedido de prisão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e os ataques e pressão pela renúncia tornam a permanência de sua atuação nos bastidores insustentável, o peemedebista decidiu pôr fim ao silêncio e prepara uma grande entrevista coletiva no início desta semana.

Alguns parlamentares do Congresso e interlocutores - além da própria imprensa - apostaram que o discurso já será a da renúncia à presidência da Câmara. Mas não sem um custo benefício maior. A intenção, neste caso, seria a de preservar seu mandato, uma vez que a cassação em plenário da Câmara está mais próxima de se concretizar.

Ao mesmo tempo, a entrevista coletiva promete defender um posicionamento do deputado, que enxerga o silêncio atual como a aproximação de sua própria condenação. "Se eu não falar, não rebater, é um massacre", teria avaliado Cunha a um interlocutor, segundo reportagem da Folha de S. Paulo.

Sob o argumento de defesa de que houve "nulidades" na tramitação de seu processo no Conselho de Ética, a fala seria uma demonstração à opinião pública e ao Judiciário de que o deputado estaria disposto a esclarecimentos e defesa. Já aos deputados da Câmara, o contato de Eduardo Cunha não foi cortado - ainda que afastado do comando da Casa pelo Supremo, o peemedebista mantinha sua atuação por meio de aliados.

Além disso, ainda mais isolado com a aprovação do parecer pela cassação, por 11 votos a 9, Cunha pretende "diminuir a tensão" entre os parlamentares que temem as ameaças de uma possível delação, passando a imagem de que não é um "homem rancoroso". Nessa outra frente, atuará para angariar os 257 votos de 512 deputados da Casa, para não perder o mandato.

A cassação de Cunha implicaria não somente na perda de seu poder e influência no Legislativo e no governo interino de Michel Temer, como também a remessa de seus inquéritos e denúncias na Lava Jato, automaticamente, para a Vara Federal de Curitiba, onde o juiz Sergio Moro já condenou outros réus pelo esquema que teria sido comandado por Cunha. A exemplo do que ocorreu com sua esposa, Cláudia Cruz, que já se tornou alvo das investigações da Lava Jato do Paraná.

Reunindo aliados que ainda permanecem na defesa de sua atuação na Câmara, Cunha foi pressionado a se manifestar, tendo em vista, ainda, a análise do pedido de prisão pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Os indícios são de que o peemedebista ainda continua atuando em benefício próprio e contra os avanços das investigações da Operação Lava Jato, ainda que afastado pelo Supremo.

E, ao contrário dos outros três caciques do PMDB - Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney -, o pedido contra Cunha ainda não foi negado por Teori Zavascki, relator dos processos no STF. Permanece no gabinete do ministro, em observação aos próximos movimentos de Cunha.

Jornal GGN
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Oleh