segunda-feira, 20 de junho de 2016

Indígenas relatam que jagunços atiraram para matar


No último dia 16, dois dias após ao ataque a indígenas da etnia Guarani e Kaiowa, no Mato Grosso do Sul, uma comitiva de deputados que integram a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal colheu relatos sobre a brutalidade dos fazendeiros contra o comunidade que tentava retomar uma propriedade demarcada pelo governo federal no início do ano com ocupação.

Segundo a apuração da comitiva, os fazendeiros, acompanhados de pistoleiros profissionais e centenas de caminhonetes, "atiraram para matar". "Os conflitos ocorreram na aldeia Ivu/Amambaipeguá, a 20 km da cidade de Caarapó, onde índios procedem ao que chamam de retomada, processo em que ocupam terras habitadas por suas etnias no passado. O ataque resultou na morte do agente de saúde indígena Clodiode Rodrigues Souza, de 20 anos, e em mais cinco feridos, incluindo uma criança atingida na barriga", publicou a Agência Câmara.

A comitiva foi composta pelos deputados Padre João (PT-MG), Paulo Pimenta (PT-RS) e Zeca do PT (PT-MS). A passagem dos parlamentares pelo hospital que acolheu os feridos constatou que, àquela altura, a polícia ainda não havia comparecido ao local para investigar os crimes, o que foi classificado como um "comportamento diferente do padrão" por funcionários da instituição.

"De acordo com as vítimas, quem participou do ataque foi um fazendeiro chamado Virgílio. Conforme relatam, no dia anterior Virgílio foi, acompanhado por policiais do Departamento de Operações de Fronteira, da Polícia Militar, e da Polícia Federal, tentar convencer os indígenas a sair das terras ocupadas. Como não houve acordo, asseguram que ele jurou voltar para resolver do meu jeito", publicou a Câmara.

Ainda de acordo com a Câmara, Eliezer Benotes relatou que os fazendeiros “atiraram sem piedade, não para assustar, mas para matar”, além de queimaram uma oca, motos e todos os pertences indígenas, que depois enterraram em valas, como constataram os deputados.

A líder da comunidade Valdelice Veron reforça não ter se tratado de confronto, embora poucas armas tenham sido encontradas em posse de indígenas. “É ataque dos pistoleiros a mando dos latifundiários, somos perseguidos por sermos indígenas, mas não vamos recuar, porque essa terra é de nós, Kaiowá e Guarani”, sentenciou.

Jornal GGN
Indígenas relatam que jagunços atiraram para matar
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