terça-feira, 7 de junho de 2016

Paes ao 247: "Não foi o Michel Temer. A presidente que fez a Olimpíada comigo foi a Dilma."


Quando, em 1894, o Barão de Coubertin propôs, num congresso em Paris, a realização de jogos olímpicos a cada quatro anos, tal qual se fazia na Grécia antiga, a intenção era unir e aproximar os povos, de todas as bandeiras, credos e etnias. Foi com esse espírito que surgiu o símbolo olímpico, com os cinco anéis entrelaçados.
Cento e quinze anos depois, em 2009, durante o segundo governo do ex-presidente Lula, a cidade do Rio de Janeiro foi escolhida para sediar os Jogos de 2016. Foi uma das conquistas mais importantes da história do País, num momento em que o Brasil era apontado como uma das grandes fronteiras de crescimento no mundo.
Hoje, a dois meses da Rio 2016, o Brasil ainda está em guerra política e isso se deve à irresponsabilidade de uma oligarquia política que tentou promover uma tomada heterodoxa do poder, passando por cima do essencial numa democracia, que é a urna.
Diante desse cenário, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, concedeu uma entrevista que coloca o dedo na ferida. "Ainda há muita incerteza, muita instabilidade. Ué, a gente não sabe nem quem vai ser o presidente daqui a dois meses, que vai abrir a Olimpíada", disse ele. "As pessoas estão com medo de fazer tudo, medo de investir, de fazer, de dialogar, de serem mal interpretadas."
Paes não escondeu sua frustração. "Todos os brasileiros estão frustrados, talvez eu esteja um pouco mais", afirmou. E fez ainda uma crítica indireta ao presidente interino Michel Temer. "Não foi o Michel Temer que fez a Olimpíada. A presidente que fez a Olimpíada comigo foi a Dilma."
RITO DO IMPEACHMENT
Se a Rio 2016 deveria servir para projetar uma boa imagem do País e celebrar a paz, o fato é que o Brasil ainda estará em guerra política aberta.
Em sessão da comissão do impeachment nesta segunda-feira 6, o relator Antonio Anastasia (PSDB-MG) recuou e o presidente do colegiado, Raimundo Lira (PMDB-PB), rejeitou a proposta da senadora Simone Tebet (PMDB-MS) de reduzir para apenas cinco dias o prazo para as alegações finais no processo.
Com isso, a votação do relatório na comissão do Senado deve ocorrer no dia 27 de julho e a leitura do parecer deve acontecer no dia 28. A votação da pronúncia no plenário fica então para o dia 2 de agosto, três dias antes da abertura da Rio 2016. E o julgamento final dos senadores, em plenário, sobre o afastamento de Dilma acontecerá até o dia 16 de agosto, com os Jogos Olímpicos em curso.
O Brasil sediará o evento mais importante de sua história, portanto, com dois presidentes – um interino e uma afastada.
No entanto, a presidente Dilma Rousseff e seus aliados farão de tudo para adiar o julgamento até setembro. Eles lutam para que a discussão sobre o impeachment atravesse o mês de agosto, para que, neste momento, em que as atenções internacionais estarão voltadas para o Brasil, seja possível denunciar ao mundo o que enxergam como “golpe”.
A realidade, que hoje frustra Paes, é que o Brasil pode ter desperdiçado uma de suas maiores oportunidades históricas devido à irresponsabilidade de sua classe política.
Brasil 24/7
Paes ao 247: "Não foi o Michel Temer. A presidente que fez a Olimpíada comigo foi a Dilma."
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Oleh