quarta-feira, 1 de junho de 2016

Você pediu e Temer nomeia secretária que é contra o aborto mesmo em casos de estupro


O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, apresentou nesta terça-feira (31) a ex-deputada Fátima Pelaes como nova secretária de Políticas para Mulheres, órgão ligado ao ministério. Além dela, Moraes apresentou o perito Celso Perioli para a Secretaria Nacional de Segurança Pública e a procuradora Flávia Piovesan para a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, cuja nomeação já havia sido anunciada.

A apresentação ocorreu durante reunião com secretários de Justiça dos 26 estados e do Distrito Federal, convocada para discussão do Plano Nacional de Segurança Pública. O presidente em exercício Michel Temer participou da abertura da reunião.

Na ocasião, o governo confirmou a criação de um núcleo, dentro do Ministério da Justiça, especializado em ações de proteção à mulher, que visa estimular a maior notificação às polícias de casos de violência. A criação do órgão foi anunciada após o episódio de estupro coletivo de uma adolescente no Rio de Janeiro.

POSIÇÃO SOBRE ABORTO

Socióloga e ex-deputada federal pelo Amapá, Fátima Pelaes (PMDB) é próxima a Temer e ocupava a presidência nacional do PMDB Mulher, um dos núcleos do partido.

Pelaes foi da bancada evangélica e defende posições mais conservadoras que as da anterior secretária de Políticas para Mulheres, Eleonora Menicucci.

Durante a atuação parlamentar, ela se manifestou contra o aborto numa sessão que discutia proposta que visava concessão de uma bolsa a mulheres que engravidem após estupro. O projeto também garantia ao nascituro assistência pré-natal e encaminhamento para adoção, se fosse a vontade da mãe.

"Nós enquanto representantes do povo brasileiro, temos que pensar que direito nós mulheres temos de tirar uma vida? [...] Como é que nós queremos tirar essa vida ali no seu início? Nós não podemos permitir isso", afirmou, durante sessão na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara.

Na mesma comissão, Pelaes afirmou que nasceu de um estupro que a mãe dela sofreu dentro da penitenciária, quando "cumpria pena por um crime passional". "Ela chegou a pensar sim no aborto, porque não se via saída [...] Ela não teve como fazer, pediu perdão para mim, depois que eu já estava adulta. E hoje eu estou aqui podendo dizer: a vida começa na hora da concepção sim. Porque se há muito tempo atrás ela tivesse feito isso [aborto], nós não estaríamos aqui", afirmou a então deputada.

"A gente pode dizer, 'mas foi o seu caso'. Mas quantos outros... Dá-se um jeito. Consegue-se sobreviver. Não é fácil, mas é possível", afirmou Pelaes, na ocasião, sobre casos de gravidez após estupro.

Na ocasião, ela lembrou que já teve posição a favor do aborto. "Eu já estive também em alguns momentos, nesta comissão, dizendo que toda mulher tem direito e que a vida não começa na concepção. Mas eu precisava ser curada, ser trabalhada, porque eu estava com trauma, eu não conseguia falar disso. Hoje eu posso", afirmou.

Leia mais no G1.
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Oleh