terça-feira, 5 de julho de 2016

As ligações de Cavendish e Cachoeira com o PSDB de São Paulo e Goiás


São Paulo

Tereza Cruvinel: O empresário Fernando Cavendish, dono da Delta, o bicheiro Carlinhos Cachoeira e outros “operadores” do esquema de corrupção liderado pela construtora só não estão no recesso do lar porque faltam tornozeleiras eletrônicas no mercado. A Operação Saqueador, diferentemente da Lava Jato, não vê motivos para mantê-los presos até que firmem acordos de delação. A operação investiga desvios de R$ 370 milhões em obras do DNIT (federais) e do Parque Aquático do Rio (estaduais). Outra coisa que se estranha, no meio investigativo hoje tão amplo no Brasil, é que a Operação não tenha mirado também as obras realizadas pela Delta para o governo do Estado de São Paulo na era tucana, que beiram o valor de um bilhão de reais. O empresário Adir Assad, preso em São Paulo na quinta-feira, seria o operador político do braço paulista da Delta.

Entre o primeiro mandato de Alckmin e o atual, que teve pelo meio o curto governo de José Serra, que renunciou para disputar a Presidência, os contratos com a Delta somaram, em valores corrigidos, nada menos que R$ 943 milhões. A empreiteira de Fernando Cavendish firmou 27 contratos com o governo estadual paulista nesse período, travando relacionamento formal com gigantes estatais como a Desenvolvimento Rodoviário S.A. (DERSA), o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP) e aUniversidade Estadual de Campinas (UNICAMP).

Desse total de R$ 943 milhões em contratos, R$ 178,5 milhões foram assinados e faturados entre 2002 e 2006, no primeiro governo de Alckmin, e a partir de janeiro de 2011, quando ele assumiu novo mandato. É, com efeito, um relacionamento menor do que a empreiteira teve com o governo de São Paulo na gestão de José Serra: R$ 764,8 entre janeiro de 2007 e abril de 2010. Cavendish teve como contraparte dos contratos com a Dersa, em certa fase, o conhecido Paulo Vieira de Souza, chamado por seus amigos tucanos de Paulo Preto, que foi intimado a depor na CPI do Cachoeira de 2012. Aquela que não deu em nada.

O maior contrato da Delta com órgãos e empresas do governo do Estado de São Paulo foi com a DERSA para executar a ampliação da marginal do rio Tietê: R$ 415 milhões (valores corrigidos), no governo de Serra.

A conexão entre Cachoeira, Delta e Adir Assad nas obras paulistas, que a CPI ameaçou investigar mas largou de lado, viria numa segunda fase da Operação Saqueador. E isso é que justificaria a prisão de Assad. Através de suas empresas, ele recebeu vultosos depósitos de construtoras que trabalharam em obras do estado, inclusive a Delta. Através de caminhos tortuosos, estes recursos, que seriam propina, teriam irrigado campanha tucanas. Mas, até agora, a Operação só mencionou obras do DNIT e do governo do Rio, onde Cavendish manteve contratos rentáveis e amizade fraterna com o ex-governador Sergio Cabral. Hoje, são praticamente rompidos.

Goiás

QuidNovi: As palavras do contraventor Carlos Augusto Ramos, vulgo Carlinhos Cachoeira, podem levar o mais alto escalão do governo de Goiás à bancarrota.O áudio comprometedor mostra como o bicheiro Carlinhos Cachoeira cobra a fatura do governo do tucano Marconi Perillo.

Os bicheiros de Goiás financiam campanhas de políticos que com mandato são comandados pela facção criminosa. Foi no Detran de Goiás, autarquia subordinada a Marconi Perillo, que a Polícia Federal flagrou em escuta telefônica autorizada pela Justiça um diálogo que se estivéssemos em um país sério, o Ministério Público de Goiás, não só cassava o mandato do governador Marconi Perillo como também o guardaria atrás das grades.

Cachoeira cobra do Diretor Geral do Dentran-GO, Edivaldo Cardoso, verbas publicitárias que possam privilegiar suas empresas de comunicação. O diálogo seria normal se não tivesse o nome do governador Marconi Perillo citado por Cachoeira, que deixa claro ser o principal financiador da campanha do tucano.

Carlinhos questiona a lealdade de Perillo, que esta abastecendo também empresas que durante a campanha fizeram oposição ao Palácio das Esmeraldas. Durante a operação Monte Carlo da Polícia Federal, que culminou com a prisão do bicheiro, veio a tona um dos maiores escândalos envolvendo a maior prestadora de serviço e empreiteira no governo federal, a Delta Engenharia, de propriedade de Fernando Cavendish, que também flagrado em gravação, disse que: “para pegar obras de governo, o preço de um senador é de R$ 30 milhões e políticos comuns, R$ 5 milhões de reais”.

O bicheiro Carlinhos Cachoeira deixa claro ser o dono de Marconi e coloca as bancas do jogo do bicho como principal financiadora de políticos e principalmente o mandato de Marconi Perillo:

“- Tenho que ser privilegiado, pois fomos nós quem colocou Marconi Perillo no governo.” Disse Carlinhos, reivindicando a maior parte do bolo que é distribuído para a imprensa omitir as mazelas do governo. Cachoeira revela também que só a autarquia Detran-GO investe mais de R$ 2 milhões de reais por mês em pixuleco para calar a boca da mídia do Estado de Goiás .

O caso parece ser reincidente, pois na operação Monte Carlo da Polícia Federal,o bicheiro foi flagrado em escuta telefônica autorizada pela Justiça determinando que seus comparsas entregasse no Palácio das Esmeraldas dinheiro para o governador Marconi Perillo.

Como diz o ditado, pau que nasce torto, permanece torto.

As ligações de Cavendish e Cachoeira com o PSDB de São Paulo e Goiás
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Oleh