quarta-feira, 13 de julho de 2016

Jagunços voltam a atacar índios no MS


Indígenas da etnia guarani-caiová voltaram a ser alvo de ataques de pistoleiros em Caarapó, no Mato Grosso do Sul. Um homem de 32 anos e dois jovens de 15 e 17 anos foram baleados na noite de segunda-feira, 11. Os crimes ocorrem em meio a um processo de demarcação e reconhecimento de terra de povos tradicionais da região.

Segundo informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), homens armados em quatro caminhonetes e um trator atacaram os indígenas que estavam acampados no “tekoha guapoy”, terra indígena localizada na região de Dourados.

O ataque dos pistoleiros ocorreu no mesmo município onde foi assassinado o agente de saúde Clodiodi de Souza, há menos de um mês. Os tiros acertaram um adulto de 32 anos e dois jovens, um de 15 e outro de 17 anos. Um deles está em estado grave e até o início da tarde desta terça-feira, 12, não tinha sido encaminhado para o hospital, permanecendo em um posto de atendimento da própria aldeia.

O jovem de 17 anos foi atingido no braço e tronco. Uma bala está alojada no tórax e, de acordo com o Cimi, a vítima corre risco de complicações. O ataque ocorre menos de um mês depois de a Força Nacional de Segurança reforçar sua presença na região, por ordem do Ministério da Justiça.

A decisão foi tomada após o ataque de 14 de junho. Naquele dia, além do assassinado de Clodiodi de Souza, outros seus indígenas foram baleados. Uma criança guarani-caiová, Josiel Benites, de 12 anos, também foi baleada na barriga e levada gravemente ferido para o hospital. Todos sobreviveram.

Os indígenas de Caarapó enfrentam uma ordem de reintegração de posse e uma sequência de ataques a mando de madeireiros e grileiros de terras. No dia 19 de junho, indígenas relataram que foram novamente atacados a tiros por homens em caminhonetes, mas ninguém ficou ferido.

“Esse novo ataque só reafirma o total descaso do poder público com os povos indígenas, uma vez que a Força Nacional supostamente estaria na região para defender os guarani, mas sua presença não evitou a investida criminosa contra a comunidade”, disse Adriana Ramos, do Instituto Socioambiental (ISA). “Enquanto perdurar a impunidade, não haverá paz para os guarani.”

INCÊNDIO EM DOURADOS

Outra ação contra os indígenas ocorreu em região próxima ao centro de Dourados. Depois de ser expulsa na semana passada, a comunidade indígena de Apyka'i voltou a ser alvo de ações truculentas. As famílias, que haviam ocupado uma área no acostamento da BR-463, em frente ao local onde viviam, tiveram seus pertences queimados.

A indígena Damiana Cavanha, que lidera a comunidade, espera há anos a demarcação da terra pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Hoje a área está tomada por plantações de cana. Na área onde Damiana vivia com sua comunidade, estão enterradas várias pessoas de sua família.

Estadão
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Oleh