segunda-feira, 11 de julho de 2016

TUCANO SANTO: Outro delator confirma os 200 mil para o Caixa 2 de Aloysio Nunes


O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) sempre tratou com aparente desdém a delação do empresário Ricardo Pessoa, da UTC e da Constran, que dizia ter pago recursos via caixa dois para a campanha dele em 2010.

Aloysio repetia que não há nem haverá provas de que usou dinheiro sujo para se eleger. Provas não há, mas apareceu um outro delator dizendo que entregou dinheiro vivo para um amigo do senador da década de 1970, quando integravam o grupo guerrilheiro ALN (Aliança Libertadora Nacional).

O segundo delator a confirmar para a Polícia Federal a doação de R$ 200 mil em dinheiro vivo à campanha de Aloysio é o ex-diretor financeiro da UTC, Walmir Pinheiro. Segundo ele, o dinheiro foi entregue na sede da empresa em São Paulo para o advogado Marco Moro, que conheceu o tucano por volta de 1970, quando os dois, então perseguidos da ditadura, estavam exilados na Europa.

Tanto Aloysio quanto Moro negam ter recebido recursos ilegais.

ACAREAÇÃO

Para checar se a história relatada por Pinheiro fazia sentido, a Polícia Federal fez acareação entre ele e Moro. O ex-diretor financeiro da UTC apresentou como evidências de que conhecia Moro número de telefone e dados sobre documentos do advogado.

Moro confirmou que esteve na UTC para tratar de doação para a campanha, mas refutou que tivesse visto antes o executivo da UTC. Confirmou, no entanto, que conhece um dos diretores da Constran, João Santana, que foi ligado a grupos de esquerda durante a ditadura.

Moro disse à Folha que trabalhou na campanha de Aloysio em 2010 cuidando do programa do candidato. Mas, mesmo sem ter um cargo oficial, diz ter pedido doações para conhecidos como Santana, mas nega ter recebido recursos ilegais.

Além dos supostos R$ 200 mil para o caixa dois, Pinheiro contou à PF que a UTC deu R$ 300 mil em doação oficial, em duas parcelas, uma de R$ 100 mil e outra de R$ 200 mil, registradas na prestação de contas do tucano. Pessoa havia dito na delação que os R$ 200 mil doados em dinheiro vivo eram para pagar os contratados para boca de urna.

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Oleh